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A Bahia me traz felicidade

Sergio Zobaran

27.05.2008

O celular toca: “É Flora!”, ela diz calmamente. O mito se desfaz: Flora Gil atende telefone, liga de volta, escreve e-mail, é simpática, profissional. A entrevista corre solta, e o assunto é seu estilo de vida, casa(s) e decoração. “Fico mais entre Rio, SP e Bahia. Em Brasília vou bem pouco, talvez duas ou três vezes ao ano, no máximo”, diz a empresária e mulher do Ministro da Cultura Gilberto Gil. “É que Gil viaja bastante pelo MinC, e eu o vejo mais no Rio. Temos um apartamento funcional lá, apenas um pouso tranqüilo para ele na cidade”.

E São Paulo? “Eu defino como meu lugar, onde nasci, onde mora minha família, minha mãe. Morei lá até os 18 anos, depois fui para o Rio”. E a Bahia? “É meu lugar com Gil, cidade em que eu o conheci e também os orixás, o candomblé... Salvador é a cidade em que me casei e onde nasceu minha filha Isabela, em 1988. Enfim, a Bahia é a cidade que me traz felicidade, contentamento e sossego”.

“Rio de Janeiro é minha casa verdadeiramente. No Rio vivo há mais de 20 anos com Gil e meus filhos e os filhos de Gil”. E Flora não resiste, diz com a tranqüilidade de quem tem o autor da música em casa:.”O Rio de Janeiro continua lindo...”. Flora se divide, assim, em quatro lugares: o apartamento do Rio, a casa da Bahia, a de Araras (serra de Petrópolis, RJ) e o apartamento de NY. E explica: “a casa de Salvador eu organizo de longe e, quando posso, pessoalmente, com a ajuda das arquitetas Cristina Calumby e Isabel Gonçalves. É uma casa simples, mas ampla e muito clara e bonita. É gostosa, com um jardim lindo e um cajueiro incrível no meio da piscina, onde os cajus doces fazem a festa prá gente no verão, caindo na água e na grama. Cuido da casa, gosto de arrumar, de por flores no vaso, ter uma casa perfumada e organizada”.

O apartamento do Rio… “é bem gostoso, em frente ao mar de São Conrado, com vista linda para a praia e montanha e a Pedra da Gávea, além do show de asa delta na altura da varanda - moramos no 13º. andar”, diz sem preconceito. Márcia Müller é a arquiteta que cuida e ajuda no que for preciso. Sempre traz uma novidade e está por perto cuidando da casa comigo”. Já a casa de Araras, também projetada e decorada por Márcia, “é um paraíso perfeito para descansar e dormir muito e bem. O lugar é lindo, cercado de árvores, de frutas, de flores. A temperatura é perfeita! Gostaria de poder ir mais para lá”.

Em NY “tenho um apartamento bem pequeno, mas muito fofo. Fica no East Village. Isabela mora lá e, graças ao rádio, temos como nos falar e resolver problemas domésticos o dia todo. Chamei uma arquiteta brasileira que mora em NY, Cristiana Mascarenhas, para me ajudar a arrumar um pouco. E por ser pequeno, ela fez isso em uma semana!”. E, ainda na Bahia, “temos um apartamento maravilhoso no endereço ideal de morar: Farol da Barra. Esse é de Bem, meu filho. Ali Cristina e Isabel fizeram o canto mais lindo de Salvador: elas são muito especiais, amigas, parceiras para qualquer problema. Posso estar no Japão, mas se alguma coisa der errado em casa, sei que estarão lá para resolver, do pequeno vazamento à grande infiltração”.

E arquitetura? “Minha preferência é pela arquiteta atenciosa que respeita a opinião e o gosto do cliente - e preferimos o moderno ao antigo”, ela diz, relembrando que “antes era uma maravilha fazer os quartos dos filhos - hoje já não é tão simples… um quer o computador na mesa tal, a TV em cima, o DVD ao lado, a cama maior,” diz a colecionadora de caixas de fósforo do mundo inteiro. Simples assim.


Em casa com Flora
Ela cozinha pouco, “mas quando faço fica muito gostoso”. Enquanto José, o filho mais novo, faz na madrugada panelas de brigadeiro. “Gil raramente cozinha, mas este é o lugar em que ele mais gosta de ficar conversando”. E revela mais: o prato preferido do Ministro-músico é a farofa: “pode faltar tudo, mas a farofa ele não dispensa”. O casal prefere comer em casa, e a desculpa de sair “é para ver os amigos e conversar, a comida fica em segundo plano, mas quando vou à Bahia, faço de tudo para ir ao Filé do Juarez, ao Soho, e dar uma passada na Perini”.

Flora tenta fazer um pouco de cada coisa nos horários mais loucos: “Às vezes trabalho até tarde no escritório do Rio, às vezes fico parte da manhã em casa, às vezes nem vou ao escritório. Minha vida é agitada e sem rotina: às vezes me queixo por não ter uma rotina certa, às vezes dou graças a Deus...”.


Expresso 2222 e futuro
“Olhe, a Preta e a Fafá, minha irmã, talvez façam o camarote. Eu definitivamente não farei, irei ficar com a minha neta em NY - vou ajudar minha filha nos primeiros meses.
Mas o Expresso 2222 pode acontecer com a coordenação da Preta e os outros irmãos. Afinal, filho é o que não falta”.

E completa: “O que acho importante ter feito profissionalmente foi a organização do catá-logo de obras autorais de Gil no Brasil e no mundo. Hoje ele tem isso sendo administrado por nós, sem intermediários. Outra coisa importante é ele ter hoje a propriedade dos fonogramas, e o direito de explorar todos os shows gravados desde 1990. Isso não tem preço.

E para o futuro irei me dedicar à venda de música digital na internet e nas telefonias”.

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