Fabrizio Rollo e seu estilo único*
ENVIE ESTA MATÉRIA PARA UM AMIGO
Decoração e moda em 15 anos de carreira
Arquiteto e jornalista, ele estudou decoração, mas se considera autodidata ("pesquiso desde criança"). Especialização? "Faz 15 anos que atuo como editor de estilo de Vogue, Casa Vogue e Homem Vogue. Olhar apurado e seletivo!". Adorando o termo decorador, ele explica: “Arquiteto constrói. Designer de interiores divide o espaço. O decorador reveste, cria a alma do ambiente. Usa de conhecimentos diversos em arte, mobiliário, e tecidos para criar algo único". Sem preconceito, completa: "Em Milão estudei moda masculina e design, e também um pouco de postura e frescura". E na moda curte alguma novidade, mas depois dos 30 assumiu sua identidade com a década de 1930, "o período mais elegante da moda masculina no mundo".
Fabrizio nasceu no interior de São Paulo. E sempre foi fascinado por moda e casa.
"As pessoas não vivem e se vestem de maneira distinta: são coisas que caminham em paralelo. Às vezes com algum distanciamento, ou em cima um do outro (moda e casa) mesmo, como todo relacionamento". E confirma: "O mais interessante é que sempre tive e tenho muita facilidade com estes assuntos. Praticamente desde que aprendi a falar, e ver o mundo em cores, tenho memória de berço. Um dia mudamos de casa, e minha mãe ditava cada detalhe, cada acabamento. Foi quando comecei a perceber a qualidade e o acabamento das coisas. Todos os espelhos dos interruptores eram da marca italiana Arbame, a mais sofisticada na época. Era super minimalista, de aço inox. Então já começava a avaliar a casa dos amigos e parentes pelos interruptores. Se não tinham Arbame como na minha...".
Com referências e misturas das décadas de 20, 30, 40, 50, 60, 70, 80 e 2000, e olhar sempre contemporâneo, Fabrizio Rollo interpreta estilos (do look mais brasileiro ao mais urbano e/ou sofisticado), e tem uma bagagem visual unida por um espírito estético único: "Meu estilo é prático-elegante-seletivo, voilà!". Dinâmico e se dizendo hiper ativo, ele trabalha com ideias rápidas, e acha que às vezes o lazer é o próprio trabalho. Admite influências:
"Diversas, muitas. Nomes? Maison Jansen quando dirigida por Stéphane Boudin... e tudo pode me inspirar. A vida me inspira. Cores e cinema me inspiram".
E suas principais fontes e referências? "Tenho paixão por livros. Com 4/5 anos rabiscava as plantas das enciclopédias de decoração da minha mãe, e alguns mobiliários. A moda (como no colorido, na magia e exotismo de Yves Saint Laurent) também sempre me inspirou. Olhar o belo me inspira – e ele pode estar em uma flor, uma roupa e por aí vai...".
Sim e Não na decoração
Transporte? Há anos ele não dirige um carro, e adora caminhar. Seu meio de transporte em SP é um motorino italiano. "Mas Milão é minha cidade do coração. Morei lá pouco mais de dois anos, quando fui correspondente internacional de Vogue Brasil, e trabalhei para Vogue e Casa Vogue Itália. Fui um dos poucos jornalistas que conquistou página fixa com nome criado (pelo próprio) na CV Itália. Fiz esta conquista profissional lá, onde tenho todas as portas abertas – a prova de que o que faço é de fato internacional. Perguntado sobre Sim e Não na decoração, é taxativo. "São muitos, vamos escolher: nos anos 70, pintar uma parede ou teto em tom contrastante era bacanérrimo - ficou popular. Hoje não se pode fazer isso: não, não pode. Se é para pintar, pinte todas as paredes, em cor forte ou suave. Outro erro? Sabe aquele trio de objetos: vasão, vaso e vasinho? Não compre. Se já tiver cometido este pecado, jogue fora". Através de conselhos assim, Fabrizio também fala do cliente ideal: "Aquele que dá carta branca para você colorir. O talento do profissional está em entrar no universo deste cliente, seja ele antenado ou não, de bom gosto ou não, e conseguir tirar dele aquilo que será a fonte de inspiração para o projeto".
* Matéria publicada na revista da Mostra Artefacto de Goiânia 2008/2009
© 2009 Portal Artefacto - Informação e Sofisticação - Todos os direitos reservados