Arte, beleza e arquitetura
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O publicitário paulista Drausio Gragnani mostra talento e estilo
Pouca gente carrega um lifestyle tão ao extremo. O publicitário paulista Drausio Gragnani, aos 35 anos, é assim mesmo. Esteta por natureza (“o mundo físico, como minha alma, me faz sonhar”), fã confesso de arquitetura, e apaixonado por arte, este homem de comunicação é movido o tempo todo por inputs que vêm das lembranças de família, de viagens, de leituras e vivências que se transformam em influências fundamentais para sua melhor criação.
Mesmo sem conseguir se definir exatamente (“ainda não; espero saber até uns 70, 80, 90, 100 anos ou, quem sabe, numa próxima encarnação”), um Drausio filho e neto de advogados, vaidoso, criativo e sedutor, evoca a primeira viagem ao Japão, aos 14 anos (“aterrisando em Tóquio, meus olhos brilharam mais que gordinho em frente à Häagen-Dazs”), e os homens fortes de sua família como suas maiores influências: “sinto que meu pai é herói porque é, e sempre foi, o melhor que consegue ser, e cresci ouvindo que meu avô paterno era o advogado do Presidente da República (Jânio Quadros)”.
Sem tendência para a política, pelo menos por enquanto, e também bebedor da fonte do avô materno (“era cultura viva, música, arte”), este DG – que também é grife de estilo – relembra o algo a mais que entrou nesta mistura que o transformou em profissional reconhecido: uma edição Vogue W/Brasil, sobre a agência de Washington Olivetto.
“Virou minha Bíblia; viajava no lifestyle daquele bem sucedido empresário cheio de saber viver pra lá de bem, e trabalhar com arte; me apaixonei - sou da geração ‘quando crescer quero ser WO’... pois, cresci”.
E criou, por exemplo, em parceria com Maria Paula e Marcelo Máca, o conceito do perfume Natura Humor - case de sucesso, mais de um milhão de frascos vendidos com sua letra-logotipo (“isso não tem preço, como diria o cartão de crédito”). E, sozinho, também as famosas camisetas da Forum: Fé, Respeito, Honestidade, Luta e Esperança. Vendeu um monte: “mais que isso, deu uma animada nas pessoas - é o que vale no trabalho de um comunicador”. Criou em São Paulo o Hotel Lycra, que de hotel quase nada tinha, só um restaurante, uma galeria de arte e uma loja (“era mais para as pessoas viverem o espírito de um entra-e-sai de hotel bacana no mundo”). E, há mais de 10 anos, o símbolo Sou da Paz, o das mãozinhas, “que virou campanha nacional giga-grande, e hoje é um instituto ímpar que desenvolve políticas públicas contra a violência (acesse www.soudapaz.org e conheça, faça alguma coisa, participe, doe!)”. Há mais de seis anos é parceiro da Adriana e Romeu Trussardi Neto no fortalecimento do branding e comunicação da Trousseau; inventa
para a grife Mixed, de roupa feminina, e as Vogues para a Associação Brasileira de Estilistas. Para a Diageo (leia-se Johnnie Walker, Cîroc, Tanqueray Tan Gin, Tequila Don Julio) fez o Reserve Club. E, ainda, a parceria com “o impecável diretor de arte Roberto Cipolla, mais Helena Montanarini, Renato Dib e um bando de gente legal”. É, ele trabalha bem em grupo.
Drausio ‘ama’ o que faz (“sou bem radical: ou não se faz”!), e considera ‘tudo’ como o mais importante para a imagem de um produto e/ou de uma empresa E ama a arte (“é o que me inspira”), e por isso é reconhecido colecionador dos contemporâneos: “assim como os profissionais criativos de sucesso”. Ele recomenda: “vá a galerias, viaje, compre o que dá”. Como ele fez no início. Como no budismo que cita: “seja radical, mas poupe-se”. Na decoração, adora móveis, que absorve com criatividade: “legal até comprar alguma coisa que alguém iria jogar no lixo, e dar um novo sentido, uma nova vida à peça – faça isso; você vai aprender que criatividade não é assim ‘tem ou não tem’... todo mundo tem, e uns exercitam”. Na arquitetura, “hoje das maiores vitrines da criatividade”, suas observações são as de grande admirador: “como um museu em Bilbao, é capaz de mudar o rumo de uma pequena cidade européia e virar destino internacional?... tem sido assim: pessoas viajam para vivenciar o novo MoMa em NY, para sentir um shopping no Japão, que nasceu pela cabeça do Tadao Ando; vão ver Zaha Hadid, Jean Nouvel!”. No Brasil, entre os arquitetos, quem faz os olhos de DG brilharem e se sentirem em casa: Paulo Mendes da Rocha, Candida Tabet (“com ela aprendi a olhar dife-rente”), Isay Weinfeld, Arthur Casas, e tudo que vai além disso: “graças a Deus!”.
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