Influências e confluências
ENVIE ESTA MATÉRIA PARA UM AMIGO
No escritório-oásis do armazém antigo em Jaraguá, ela vive cercada de verde
Formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Alagoas, em 1979, Humberta fez especialização: pós-graduação em Arquitetura e Sistema de Saúde na Universidade Nacional de Brasília: “quando a fiz, tinha a compreensão de que o fluxo hospitalar seria o mais complexo dentro da arquitetura; e me levaria, portanto, a uma formação completa para o exercício da minha profissão”.
Humberta gosta de interiores e de arquitetura igualmente: ”dialogam entre si; quando concebemos o projeto arquitetônico, todas as ideias de concepção do espaço emergem como áreas que se interligam organicamente”. Para ela é impossível conceber um sem o outro. E para o exercício da profissão, “as principais influências foram os clássicos modernistas do início do século, e a arquitetura regional nordestina, em especial a de Pernambuco; no Brasil cito Paulo Mendes da Rocha, Gil Borsoi, Janete Costa, Aflalo, Alexandre Castro e Silva e tantos outros que influenciam toda a minha geração com o poder de síntese e sobriedade na formas – nós, arquitetos, absorvemos novos conceitos ao longo de nossa trajetória. Depois de um tempo, além de influências, podemos falar em confluências, o que é bastante interessante para a maturação do nosso trabalho”.
Suas escolhas
“As cores primárias, quando bem pontuadas, refletem para mim a essência nordestina, nossas origens, e devem ser usadas neste contexto porque, de certa maneira, fortalecem nossa identidade cultural. Quanto aos materiais, acho que todos podem ser utilizados desde que com bom senso e, sobretudo, com caráter inovador. É possível fazer releituras. Usar um material aparentemente comum para a partir daí fazer algo que surpreenda” diz a democrática, eclética e bem (in)formada Humberta.
Sobre a arquitetura moderna brasileira, “acho o máximo, algo revolucionário na arquitetura; e instituiu uma nova estática, um novo jeito de conceber espaços; o movimento moderno é difícil de ser comparado com qualquer outro, tamanha a sua força”. Sobre o que se faz hoje, ela observa, por enquanto: “ainda está buscando a sua identidade própria – suceder um movimento forte como o moderno é um grande desafio; a arquitetura no Brasil vem fazendo um esforço de agregar valores que fortalecem nossa brasilidade às tendências contemporâneas”.
E ao falar de seus projetos, entre residências, comerciais e multifamiliares, que considera como filhos: “não existe o melhor, todos são muito importantes e cada um tem sua peculiaridade, sua história. E em relação ao futuro: ”quanto ao que está por vir, posso dizer que sou movida a desafios, e os encaro sempre com dedicação especial. No momento desenvolvo trabalhos interessantes e motivadores: um resort para um grupo português com condomínio conjugado no litoral norte de Alagoas. Posso dizer que, quando podemos contar com a beleza natural do lugar, já se é grande privilégio. Estamos desenvolvendo um condomínio em Nova Viçosa, na Bahia, em frente à ilha de Abrolhos, reserva ecológica onde fica o maior banco de pesca do Brasil. Vai ser um dos primeiros “fly community” do país, com pista de pouso de 1500 metros. O nosso trabalho é peculiar por sua pluralidade: fazemos desde projetos de interiores a uma usina de açúcar como a que estamos projetando em São Paulo. Trata-se de um projeto interessante, pois engloba a arquitetura industrial. Como afirmei antes, os desafios estão postos a cada ação, nos fazem crescer e aprender muito”.
© 2009 Portal Artefacto - Informação e Sofisticação - Todos os direitos reservados